quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

OPINIÃO! «A Amante do Governador», de José Rodrigues dos Santos

A Amante do Governador
Autor: José Rodrigues dos Santos 
ISBN: 9789896168452
Edição ou reimpressão: 10-2018
Editor: Gradiva

Sinopse:
"Depois de atacarem Pearl Harbor e invadirem Hong Kong, os japoneses cercam Macau. Com o inimigo às portas, o novo governador, Artur Teixeira, tem de enfrentar a maior ameaça ao império português durante a Segunda Guerra Mundial. Diante dele está o coronel Sawa, o violento chefe do Kempeitai, que ameaça invadir a colónia portuguesa na China. Para salvar Macau, o governador conta apenas com o seu engenho - e a ajuda de um punhado de homens e mulheres, incluindo a própria concubina do coronel Sawa, a chinesa Lian hua. Tudo se complica, no entanto, quando se apaixona por ela.

Amor e guerra no choque de impérios

A Macau dos juncos e das sampanas, dos casinos e do ópio, do Leal Senado e da Praia Grande, do Fat Siu Lao, do Grémio Militar e do Clube de Macau, do Porto Interior e da Porta do Cerco, dos riquexós, dos contrabandistas chineses e das dançarinas russas, do mahjong e da corrupção, do patois, das canções de Art Carneiro e dos jogos de hóquei na Caixa Escolar.
E dos refugiados, dos bombardeamentos e da fome.
Baseado em acontecimentos verídicos, A Amante do Governador resgata os dias de Macau sob cerco japonês e mostra como Portugal manteve a única bandeira ocidental hasteada no Extremo Oriente durante toda a Segunda Guerra Mundial.
O grande romance português está de volta com a assinatura de José Rodrigues dos Santos, o mestre das nossas letras."

Críticas de Imprensa:
«Um dos pesos pesados da literatura lusófona
Historia, França

Opinião:
Na trilogia de Lótus,  o escritor descreveu de uma forma admirável, a vida de quatro personagens, as quais ganham vida novamente nesta obra, que para mim foi grandiosa!

O general Artur Teixeira, a quem são entregues as chaves da cidade de Macau, ganha mais protagonismo, em A Amante do Governador, ao mesmo tempo que a morte de Senna Fernandes deixa no ar o mau agoiro relativamente à possibilidade de aquela colónia ser ocupada pelos Japoneses. 

Sob a alçada de Salazar, o novo governador de Macau depara-se com adversidades, relativamente aos Chineses que habitam em Macau, já que estes se acham senhores daquela colónia, e que apenas permitem aos portugueses "administrar" Macau, uma cidade cuja beleza e mistério é o efeito da mistura de traços da arquitectura portuguesa e dos edifícios marcados pela arquitectura e tradições chinesas.

Artur Teixeira inicia assim a sua aventura enquanto governador, com a escolta do Capitão Tavares, um homem astuto, e conhecedor das políticas praticadas naquela colónia.
A inteligência de Artur leva-o ainda, a escolher como seu braço direito, o inspector da judiciária António Lobo, o qual aceita o cargo de Director dos Serviços de Economia e Finanças.
A Sagacidade de Lobo é admirável!!!

Temporalmente temos como pano de fundo a segunda guerra mundial, por isso Fukui também aparece, como diplomata do Japão, grande amigo de Artur Teixeira (Artur-sun), mas desta feita, ao contrário do que aconteceu em Berlim (Trilogia do Lótus), agora estão em "campos opostos". As trocas de palavras com ameaças escondidas com o Cônsul do Japão, acabam por ocorrer entre os dois amigos, situação que muito entristece Artur, que não pode colocar de lado a sobrevivência da colónia de Macau, da qual assumiu a posição de governador.

A situação em que a Ásia se encontra é de grave preocupação, com os ocidentais munidos do raciocínio lógico, e os orientais marcados pela cultura que fundamentalmente passa pela contradição "yin e yang", ao passo que a ameaça em que a cidade de Macau se encontra, vai tomando proporções cada vez maiores.
Enquanto isso, Lobo e Artur, tentam promover a segurança de Macau e dos portugueses, como se cada actuação e decisão fossem jogadas de xadrez, já que têm que providenciar a sobrevivência dos habitantes de Macau, agora ocupada também pelos refugiados de Hong Kong, combater a fome e ludibriar os Japoneses que se encontram a viver em Macau, mais precisamente o coronel Sawa.

O romance acontece quando Artur conhece a concubina do coronel Sawa, com a qual acaba por resultar uma ligação amorosa, revelando-se perigosa para os amantes.

Admirável como sempre, José Rodrigues dos Santos não nos deixa de surpreender com as suas obras.

Boas leituras!

OPINIÃO! «Charlatães», de Robin Cook

Charlatães
Autor: Robin Cook 
ISBN: 9789722535403
Edição ou reimpressão: 07-2018
Editor: Bertrand 

Sinopse:
"Célebre pelos seus avanços na medicina, o hospital universitário de Boston tem diversas «salas de operações híbridas do futuro». Os tratamentos são mais bem-sucedidos e os riscos muito reduzidos. É por isso um choque quando um erro de anestesia durante uma operação de rotina resulta na morte do paciente. O Dr. Noah suspeita de William Mason, um cirurgião de renome internacional, narcisista e snobe. Mas Mason põe todas as culpas na anestesista Ava London.

Quando começam a surgir mais mortes associadas a erros nas anestesias, Noah é obrigado a investigar todo o seu pessoal médico, incluindo Ava, que pode muito bem não ser quem parecia ser. Mas, sobretudo, é preciso descobrir o culpado antes que mais mortes sucedam."

Críticas de Imprensa:
«Agarra-nos... aterrador
New York Times

«Patologistas forenses e médicos que se transformam em detetives para lutar contra epidemias, doenças fatais e mortes ligadas a medicamentos, cujas causa estão longe de ser naturais... o leitor vai ficar completamente agarrado
Daily Mail

«Oferece aos leitores uma dissecação inteligente de questões contemporâneas que nos afetam a todos
USA Today

«Robin Cook inventou literalmente o thriller médico nos anos 70 com Coma
Guardian


Opinião:
Desta vez Robin Cook acompanha as novas tecnologias e as novas tendências, designadamente as redes sociais, pois hoje em dia fazem parte da vida das pessoas. Ora, também os médicos aderiram às redes sociais, alguns para uso pessoal e até profissional. 
Porém, a tecnologia e as redes sociais, transformaram-se num meio fácil para obter e furtar habilitações académicas, dando-se o caso de "charlatães", criando a dúvida se os diplomas que se encontram nos consultórios de todos os médicos, são efectivamente verdadeiros...

Charlatães relata a verdadeira azáfama na vida de vários médicos, com a personagem principal "Dr. Noah" um cirurgião aplicado e dedicado à sua profissão que, após a morte de um paciente, conhece e fica íntimo de uma anestesiologista "Drª Ava Landon". 
Cabe a Noah, na qualidade de supervisor interno dirigir o Serviço de Cirurgia do Boston Memorial Hospital, e ainda apurar e investigar as complicações que surgiram na cirurgia do primeiro paciente que morreu chamado "Bruce Vicente", e apresentar o resultado das suas investigações na conferência M&M "conferência cirúrgica bimestral sobre morbidade e mortalidade.

Em resultado disso, a sua aproximação com Ava é inevitável, acabando por se apaixonar por ela, mas ao mesmo tempo, Noah é assaltado por dúvidas sobre a inocência da anestesiologista, ao ponto de colocar em causa as habilitações de Ava.


Robin Cook aborda vários temas interessantes, não só as habilitações falsas, como também o uso do Facebook e outras redes sociais semelhantes, nomeadamente quando as pessoas criam perfis falsos, fazendo uso deles para obter aprovação social, sem quaisquer consequências aparentes, num comportamento aterradoramente narcisista.

«Os psicólogos consideram as redes sociais o recreio virtual de uma cultura que se mostra cada vez mais narcisista.»


«Charlatães» é um thriller médico que me deixou imersa na sua leitura.  
É um livro actual e magnífico! 


Boas Leituras!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

OPINIÃO! «Agatha Christie - O Mistério dos Três Quartos», por Sophie Hannah

O Mistério dos Três Quartos
Autora: Sophie Hannah 
Edição ou reimpressão: 08-2018
Editor: Edições Asa
Encadernação: Capa mole 
Páginas: 328

Sinopse:
"Ao regressar a casa após um almoço, Hercule Poirot depara-se com uma mulher à sua porta. Sylvia Rule está transtornada e exige saber por que motivo Poirot lhe enviou uma carta em que a acusa de ter assassinado Barnabas Pandy, quando nem sequer o conhece. Intrigado, pois também ele nunca ouviu falar de Pandy, Poirot entra em casa e constata que tem mais um visitante à sua espera: John McCrodden, que o acusa igualmente de difamação, pois recebeu uma carta semelhante. 

 E a lista não termina aí…
 Quem terá enviado as cartas, e porquê? 
Mais importante ainda, quem será Barnabas Pandy? 
Estará, de facto, morto? 
Terá sido assassinado? 
E conseguirão as celulazinhas cinzentas de Poirot decifrar este mistério sem colocar mais vidas em perigo?

Um novo enigma protagonizado pelo detetive mais querido do mundo. 
Com a ajuda de Edward Catchpool, da Scotland Yard, Hercule Poirot envolve-se numa complexa teia de relações, segredos escandalosos e delitos do passado."

Opinião:
Não é fácil superar a rainha do crime, mas Sophie Hannah trouxe de volta a personagem tão acarinhada pelos fãs de Agatha Christie. E foi precisamente isso que me levou a reagir favoravelmente à leitura deste livro, já que, quando o comprei estava bastante apreensiva.

A verdade é que fui conquistada pelo mistério que a escritora nos apresenta, e pela sua capacidade de expressão. 

Tudo começa com Poirot, acusado de remeter cartas acusatórias a quatro pessoas, sobre um homicídio a "um tal Barnabas". No início, alheio às intenções que levaram o autor das cartas, e usar o nome de Poirot, o pequeno belga dá início à sobre a morte de Barnabas Pandy, e se a mesma se tratou de homicídio, com a colaboração e narração do inspector Catchpool.

Sem perder a originalidade e o efeito teatral tão característico de Poirot, fui agradavelmente envolvida pelo "mistério dos três quartos".


Boas Leituras!

OPINIÃO! «Serpentina», de Mário Zambujal

Serpentina
Autor: Mário Zambujal 
Edição ou reimpressão: 10-2014
Editor: Clube do Autor
Encadernação: Capa mole 
Páginas: 160

Sinopse:
"Para Mário Zambujal, o mais importante é saber que os leitores se divertem com os seus livros. É nisso que se concentra quando agarra na caneta e se põe a imaginar peripécias, enredos e personagens. Serpentina não fugiu à regra e arrisca-se a ser o romance mais divertido do ano.
Nele acompanhamos as reviravoltas na vida de Bruno Bracelim - primeiro a partida da família para o Canadá, quando ainda menino, e depois um acidente de trânsito, já em adulto - e divertimo-nos com as situações armadilhadas de um destino tão imprevisível quanto animado.
Num estilo inconfundível, eis um supremo divertimento em que a imaginação e o humor se entrelaçam com a reflexão e a emoção."


Opinião:
Mais uma vez, fui presenteada com uma obra narrada com simplicidade mas, verdadeiramente apaixonante.

Habituei-me tão facilmente à escrita de Mário Zambujal, o que me levou a devorar cada palavra de "Serpentina" uma "Odisseia de um crédulo em demanda da bela sem senão".

Neste romance, o "Senhor Bruno D. L. Bracelim", para além das peripécias em que se envolve constantemente, anseia nada mais do que encontrar o rosto perfeito, a mulher que ele próprio idealiza. Já que a razão de se encontrar solteiro, passa sobretudo por encontrar várias mulheres na sua vida, MAS, apesar de belas, há sempre um senão.

A conclusão final foi uma lufada de ar fresco, aliás como toda a obra de Mário Zambujal, que espelha tão profundamente aquilo que todas as pessoas procuram.

"[...]Rosto perfeito é o que não nos cansamos de ver , em todas as horas, boas ou más. [...]"

Apaixonante, com um relato transparente, Serpentina é mais um livro que irei recordar com o carinho que merece.

Boas Leituras!

sábado, 3 de novembro de 2018

OPINIÃO! «Primeiro as Senhoras», Mário Zambujal

Primeiro as Senhoras
Autor: Mário Zambujal 
ISBN: 9789897243172
Edição ou reimpressão: 05-2017
Editor: Clube do Autor
Dimensões: 153 x 234 x 12 mm 
Encadernação: Capa mole 
Páginas: 136

Sinopse:
"Primeiro as Senhoras de Mário Zambujal regressa em maio às livrarias numa nova edição. 
Bem ao jeito do autor, eis mais uma história cheia de ritmo e diversão. 

Neste livro voltamos a encontrar um bom malandro com as suas aventuras, fantasias e emoções. 

A história conta-se num depoimento do protagonista, Edgar, a um silencioso inspetor da Polícia que, tal como os leitores, página a página, vai conhecendo o currículo da personagem e os passos de um golpe que o levou a passar nove dias sequestrado.

Notei que a venda era uma meia preta de senhora. Deprimente. Acho bem senhoras com meias pretas mas abomino meias pretas de senhora sem senhora."

Opinião:
Sequestrado e amordaçado com uma meia preta de senhora!!! Esse é o cenário que mais indigna Edgar, a personagem principal desta história tão peculiar.
Após o rapto de que foi vítima, o malandro Edgar vai descrevendo, não só o bendito sequestro, como também outras histórias e aventuras hilariantes que ocorreram na sua vida, ao silencioso inspector.
 No relato, apenas pode contar com os sentidos que lhe restaram, olfacto e audição. E ao que parece, o alvo seria Sertório Egídio Miranda, pai de Renata. Esta última apresentava Edgar como sendo seu marido, o que causou tamanha aventura ao nosso protagonista.
Durante a narração dos factos, mais tarde é a consciência de Edgar que origina e cria um desenlace e um desfecho ainda mais interessante
Um relato hilariante, que rapidamente ganha o interesse do leitor.


"A porra da meia preta" é inesquecível!! 
 
Boas Leituras!

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

OPINIÃO! «O Último Verão», de Ann Brashares

O Último Verão
Autora: Ann Brashares 
ISBN: 9789899578845
Edição ou reimpressão: 06-2008
Editor: Quinta Essência
Classificação Temática: Romance

Sinopse:
"Waterby, Fire Island, os ritmos e os rituais do Verão são os mesmos de sempre: o cerimonial das chegadas e das partidas de ferry; os jantares no clube náutico com vistas de cortar a respiração; o decreto contra o uso de sapatos; e o desfile de miúdos bronzeados e cobertos de areia, que se tornam maiores de idade na praia. 
Passada neste cenário cheio de vida, O Último Verão é a história encantadora - e comovente - da amizade entre três jovens, para quem o Verão e aquele lugar significam tudo. As irmãs Riley e Alice voltam todos os anos à modesta casa de praia dos pais. 
Riley é nadadora-salvadora e uma maria-rapaz, sempre pronta para nadar à noite, velejar com vento forte ou correr pela praia. A bonita Alice é meiga, gosta de ler e de meditar, e venera a irmã mais velha. E, na enorme casa que ofusca a humilde habitação delas, vive Paul, um amigo tão importante para ambas como o próprio local. Depois de alguns anos afastado, Paul volta finalmente à ilha. Mas o seu regresso marca uma estação de tremendas mudanças e, quando uma atracção que ferve em lume brando e um grande segredo colidem, os três amigos são lançados num mundo desconhecido, um mundo em que o seu refúgio de Verão já não os pode proteger. 
Com afecto, humor e sabedoria, Brashares faz-nos sentir as alegrias e as torturas do amor. Recorda-nos a força e os espinhos da amizade, a dor da perda e o peso dos laços familiares. Profundo e comovente, O Último Verão é uma celebração sentida do Verão e da nostalgia da juventude."


Críticas de Imprensa:
«O Último Verão apela à nostalgia do passado que os leitores que procuram os prazeres e as despreocupações do Verão vão adorar.» 
The Washington Post

«Um livro que não se consegue deixar de lado.» 
Cosmopolitan

Opinião:
Este livro caracteriza muito bem a amizade e os "amores" de verão, carregados de aventuras e emoções.
Nele conhecemos três personagens, tão diferentes e que se completam tão bem. O amor que existe entre as irmãs Riley e Alice é simplesmente belo. E o amor que cresce entre Alice e Paul é torturante e confuso, o que leva a que a estranheza desse sentimento afaste essas personagens.

Em O Último Verão é evidente a dúvida entre a entrega emocional e a tortura da razoabilidade.

"Qualquer coisa bela, é frágil."

Um romance agradável de ler.

Boas Leituras!

sábado, 20 de outubro de 2018

OPINIÃO! «O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo», de Germano Almeida

O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo
(Pref. por Paula Tavares)
Autor: Germano Almeida 
Edição: Leya
Edição ou reimpressão: Setembro de 2018
Isbn: 9789896605292  
Preço: 10,00€ 

Sinopse:
"Quando morreu, o Sr. Napumoceno era um conceituado comerciante do Mindelo. A reputação da sua casa comercial tinha uma correspondência perfeita na sua reputação pessoal - bom, íntegro, sério, sem vícios, rico e respeitado. Mas a leitura das centenas de páginas do seu testamento lançou «uma nova luz sobre a vida e a pessoa do ilustre extinto». 
Página a página, o leitor vai assistindo à construção de uma personagem fascinante, rica, complexa, contraditória, fortemente enquadrada no pano de fundo que é a sociedade cabo-verdiana. Este romance de Germano Almeida foi adaptado ao cinema por Francisco Manso, no filme «O Testamento do Sr. Napumoceno»."
Prefácio de Paula Tavares

Opinião:
O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo é um romance cheio de graça, muito bem escrito e agradável de ler, devido à história tão fora do comum.
Conta a história de um homem que não tinha posses quando chegou a Mindelo e que, por conhecer as pessoas certas, como também devido ao seu esforço e perspicácia conseguiu abrir o seu próprio negócio "Araújo, Lda Importações e Exportações". O seu início passa claramente pelo contrabando, mas o Sr. Napumoceno rapidamente alcança uma posição admirável na cidade em que vive, reconhecido como um homem sério e honesto.

O seu sobrinho Carlos é também uma personagem interessante, tão cómica como o tio, e que surge como pupilo de Napumoceno. Carlos revela a sua natureza de comerciante desde muito cedo, o que acaba por se revelar conveniente para o tio, o qual, mais tarde acaba por revelar no seu testamento que se apoderou das ideias de Carlos como sendo de sua propriedade, já que lhe pagou os estudos.

"Porém, no seu testamento, o Sr. Napumoceno confessou que se assenhoreava das ideias do sobrinho como se fossem dele próprio e justificou que em boa verdade bem se poderia dizer que lhe pertenciam porque se Carlos as tinha fora porque ele o mandara para a escola e depois para Lisboa e até mesmo fora ele Napumoceno que lhe obtivera emprego na firma Carvalho e daí que as ideias do sobrinho mais não eram que o normal desenvolvimento de um capital bem investido e por esta razão  considerava-se legítimo proprietário de qualquer manifestação positiva que nascesse daquela cabeça."

A leitura do testamento do Sr. Napumoceno é nada mais do que a leitura de um livro de memórias, onde também, o defunto, perfilha Maria da Graça, sua filha com a ex-empregada de limpeza, D. Chica.

É a Maria da Graça que são entregues os verdadeiros cadernos de memórias de Napumoceno, onde ela descobre a razão que levou o seu pai a deserdar Carlos, como também outros acontecimentos e aventuras engraçadas e peculiares da vida de um homem de cariz social e político verdadeiramente interessantes.
Também lhe cabe a tarefa de cumprir a última vontade do falecido, entregar o livro "Só" de António Nobre, a Adélia.

É um romance divertido, mas que também retrata a solidão de um homem, que conheceu o amor, e que suspira a perda e o amor por essa mulher... até à morte.

Boas Leituras!