domingo, 22 de fevereiro de 2015

OPINIÃO! «Stoner», de John Williams

Autor: John Edward Williams
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 263
Editor: Dom Quixote
ISBN: 9789722055567

Sinopse:
"Romance publicado em 1965, caído no esquecimento. Tal como o seu autor, John Williams - também ele um obscuro professor americano, de uma obscura universidade. 
Passados quase 50 anos, o mesmo amor à literatura que movia a personagem principal levou a que uma escritora, Anna Gavalda, traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. E em 2013, quando os leitores da livraria britânica Waterstones foram chamados a eleger o melhor livro do ano, escolheram uma relíquia. 
Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis, entre muitos outros escritores, juntaram-se ao coro e resgataram a obra, repetindo por outras palavras a síntese do jornalista Bryan Appleyard: "É o melhor romance que ninguém leu". Porque é que um romance tão emocionalmente exigente renasce das cinzas e se torna num espontâneo sucesso comercial nas mais diferentes latitudes? A resposta está no livro. Na era da hiper comunicação, Stoner devolve-nos o sentido de intimidade, deixa-nos a sós com aquele homem tristonho, de vida apagada. Fechamos a porta, partilhamos com ele a devoção à literatura, revemo-nos nos seus fracassos; sabendo que todo o desapontamento e solidão são relativos - se tivermos um livro a que nos agarrar."

Críticas de imprensa:
«É uma coisa ainda mais rara do que um grande romance - é o romance perfeito, tão bem contado, tão bem escrito, tão comovente que nos corta a respiração
New York Times

«Williams fez da vida de Stoner, tão repleta de desilusões, um retrato tão profundo e honesto, tão cru e despojado de romantismo, que silenciosamente nos corta a respiração
Boston Globe

Opinião:
Stoner é um livro que se destaca pela diferença e a meu ver, apresenta-nos a essência da vida de um professor amargurado. A obra retrata um homem de origens humildes que até aos seus últimos dias é perseguido pelo fracasso e pelas desilusões que a vida teima em lhe oferecer.
William Stoner é professor na Universidade de Columbia, no entanto o seu percurso profissional foi ditado pela sua personalidade inibida e aspecto tosco e curvado, apenas capaz de reencontrar algum sentido na literatura.

A obra tem uma escrita fabulosa mas, ao mesmo tempo perturba porque descreve um homem que idealiza a sua vida e após sonhar com as opções que pode tomar, demasiado romanceadas pelo próprio, acaba sempre por fracassar perante a mesquinhez humana.
A sua relação conjugal, como também a relação extra-conjugal e as suas amizades, são prova disso.

Boas Leituras!

domingo, 8 de fevereiro de 2015

OPINIÃO! «A Revolta», de Clem Martini

Autor: Clem Martini
Edição/reimpressão: 2007
Páginas: 184
Editor: Quidnovi
ISBN: 9789728998554

Sinopse:
"Kalum ru Kurea ru Kinaar, um velho corvo de trinta e oito anos, é o narrador desta história e é pelo seu bico que nos é dado a conhecer um episódio que abalou a Família e que, por pouco, não causou a sua destruição. A Família inicia a sua viagem anual migratória em direcção à Árvore da Reunião, local onde há muito os vários clãs se encontram para discutir problemas que estejam a afectar a comunidade, para contar histórias aos mais novos ou mesmo para acasalar. Kalum faz-nos entrar num mundo fantástico que tem como personagens principais Kyp, Kym e Kuper, representantes de uma geração mais nova, mais inconsciente mas, ao mesmo tempo, mais corajosa. Kyp é o corvo destemido, o mais hábil a voar, mas também o mais irreverente. Kym é a figura feminina da história, um corvo mais sensato e curioso que faz a ligação com o ser humano. Já Kuper representa o lado mais solitário do corvo: quando toda a sua família foi morta pelos humanos, viu-se obrigado a aprender tudo sozinho, o que o tornou uma figura mais distante, mas muito importante para o desenrolar da aventura. A Reunião Anual é abalada quando um gato ataca uma cria e Kyp, sem consultar a Família, organiza uma Revolta para se vingar do felino. Como consequência deste episódio, Kyp é julgado e temporariamente afastado do grupo. Durante a sua ausência, Kuper e Kym acabam por ter contacto com ele e é por esta altura que começa a surgir entre eles uma espécie de triângulo amoroso. 
Como se não bastasse os clãs terem-se dividido em consequência do ataque ao gato, uma outra desgraça vem abater-se sobre a Família: um nevão que obriga a comunidade a abandonar a Árvore protectora e aventurar-se pelo mundo subterrâneo, um mundo proibido, onde vivem… gatos. 
Repleto de humor, sentimento e de acção, este livro não pára de nos surpreender, até porque tem um ritmo extraordinário, que nos faz querer ler sempre mais."

Críticas de imprensa:
"(...) este livro lê-se de uma só... penada." 
Teresa d'Ornellas

Opinião:
Hoje trago algo diferente, uma trilogia de literatura juvenil. 

Pena e Osso: As Crónicas do Corvo!
Um livro que nos conta as aventuras destes pequenos pássaros, cuja sabedoria e aventuras são contadas pelo corvo Kalum ru Kurea ru Kinaar, um velho corvo que se orgulha em agarrar os ramos das árvores com as suas patas, há sensivelmente trinta e oito primaveras.
Um corvo velho de penas negras como a noite e que convida os seus primos e a nós leitores, para nos aproximarmos e conhecermos a história de aventuras, sobrevivência e tenacidade da sua família, os corvos.

Kalum foi o Eleitor do bando, constituído por vários clãs. Ser Eleitor é uma tarefa que deve ser realizada por alguém capaz de tomar decisões rápidas em momentos difíceis, por isso o corvo Eleitor deve ser perfeitamente consciente das suas responsabilidades para com o bando, melhor dizendo, para com a família.
Em primeiro lugar está sempre a segurança do bando, a sobrevivência dos mais novos e a primazia por todos os elementos do bando seguirem as regras que lhes são ensinadas.
Os corvos são conhecidos por sobreviverem às dificuldades climatéricas, aos seus predadores e essencialmente aos seres humanos, devido ao estreito cumprimento pelas regras, ao nível de colaboração entre todos e também por agirem sempre acompanhados por mais elementos do bando, nunca sozinhos.

Cada corvo desempenha o seu papel na comunidade respeitando as regras e têm como principal preocupação a procura de comida junto da árvore que os acolhe. A presença de um líder e de um Eleitor é importante para os corvos, que encaram com naturalidade essa necessidade. Portanto, é fundamental ensinar e preparar outros corvos para os cargos de elevada responsabilidade que devem assumir, quando haja lugar a alguma fatalidade.

Mas os corvos têm mais para contar do que parece... têm uma Criadora que há muito lhes reservou um espaço para os acolher, uma árvore bela que lhes ampara as penas e patas para descanso e boa comida. Há muito, mas muito tempo esta Criadora puniu os corvos e retirou-lhes poder, pois estes foram ousados e em tempos quiseram mostrar aos humanos o seu poder.

Como podemos ver, os corvos têm muito que contar, mas é sobre Kyp, Kuper e Kym que este velho corvo nos convida a aproximar e conhecer a verdadeira história que levou à perda de um número elevado de primos.
São três corvos curiosos e aventureiros e cheios de tenacidade, que em muito têm para aprender como também para ensinar, e assumem um papel importante nesta história.

O constante perigo que o gato Ruivo lhes transmitia, uma reunião que afasta Kyp da sua família num período de oito dias demasiado longo para um corvo, a curiosidade sobre a vida dos humanos  e uma tempestade que abala a segurança do bando, gera uma divisão entre os elementos da família, como também coloca a nu os medos de quem menos se espera.

A sobrevivência, a responsabilidade e o espírito de sacrifício são postos à prova. E no meio disto tudo, a obstinação dos líderes pode ter um preço muito alto a pagar.

É uma obra carregada de significado, fácil de compreender e que nos motiva a analisar o que o autor nos pretende transmitir.

Boas Leituras!

OPINIÃO! «As Dez Figuras Negras», de Agatha Christie

Autora: Agatha Christie
Edição/reimpressão: 2003
Páginas: 192
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789724132877
Coleção: Obras de Agatha Christie

Sinopse:
"Dez desconhecidos, que aparentemente nada têm em comum, são atraídos pelo enigmático U. N. Owen a uma mansão situada numa ilha da costa de Devon. Durante o jantar, a voz do anfitrião invisível acusa cada um dos convidados de esconder um segredo terrível, e nessa mesma noite um deles é assassinado.
A tensão aumenta à medida que os sobreviventes se apercebem de que não só o assassino está entre eles como se prepara para ir atacando uma e outra vez…
O que se segue é uma obra-prima de terror. À medida que cada um dos hóspedes é brutalmente assassinado, as suas mortes vão sendo “celebradas” através do desaparecimento de uma de dez estátuas, as “dez figuras negras”.
Restará alguém para um dia contar o que de facto se passou naquela ilha?

Em As Dez Figuras Negras, a Ilha do Negro, local sombrio e desde sempre povoado de mistérios, é palco de uma estranha e implacável forma de justiça, na qual as vítimas se encontram encurraladas pelas circunstâncias e o agressor é invisível e omnipresente. Na colecção das Obras de Agatha Christie iniciada por Edições ASA, este é o primeiro romance em que não figura nenhum detective ou personagem determinante para a (surpreendente) solução dos crimes."

Opinião:
No seguimento da entusiasmante leitura de novos personagens de Agatha Christie, lá fui eu escolher mais um livro da estante que se encontrava esquecido porque não tinha como personagem principal o tão amado Hercule Poirot.

As Dez figuras negras não tem qualquer personagem especial, mas o final surpreendente compensa essa "falta".
A história é interessante e não falta suspense. Depois da chegada à ilha as personagens começam a perceber que há alguma coisa que não está certa, há muita falta de informação sobre os proprietários, mas o verdadeiro pânico começa a instalar-se quando percebem que há uma ligação entre as mortes do convidados e a canção de embalar das "dez figuras negras".

Completamente isolados e à mercê de um assassino, as personagens tentam descobrir uma forma de sair da ilha ou de impedir mais mortes, mas estas tentativas revelam-se completamente em vão.

O medo dos convidados está instalado! 
Um a um, vão sendo assassinados como se tratasse de um presságio, impedidos de alterar o destino que lhes reserva.

Deixo aqui algumas curiosidades que encontrei no livro "Os Cadernos Secretos de Agatha Christie", de John Curran:

"Com a escrita deste livro, Christie propôs a si própria um desafio, e na sua Autobiografia escreve como a dificuldade da ideia central a atraiu: «Tinham de morrer dez pessoas sem que isso parecesse ridículo. Escrevi o livro depois de um longo e cuidadoso planeamento (...) Era claro, directo, desconcertante, e, no entanto, tinha uma explicação perfeitamente razoável (...) a pessoa que ficou verdadeiramente satisfeita com o livro fui eu própria, porque sabia melhor do que qualquer crítico como tinha sido difícil.»

"Quando a Collins começou a anunciar As Dez Figuras Negras na Booksellers Record, em Julho de 1939, chamou-lhe, muito simplesmente, «a melhor história que Agatha  Christie alguma vez escreveu». Mas o artigo que publicaram na Crime Club News provocou a ira da autora, que, a 24 de Julho, escreveu de Greenway House a William Collins, a protestar. 
Achava que era revelada uma parte excessiva da intriga, fazendo notar que «qualquer livro fica arruinado quando se sabe exactamente o que vai acontecer do princípio ao fim». E inclui na sua carta uma ameaça velada ao recordar a Collins que está a preparar-se para assinar um contrato para mais quatro livros e poderá não estar disposta a fazê-lo se não lhe forem dadas garantias de que tamanho erro não se repetirá. 
Não obstante a Collins declarar que se tratava «certamente da melhor história policial que o Crime Club alguma vez publicou e estamos convencidos que o mundo irá considerá-la a  mais fabulosa história de policial de todos os tempos», incluíam demasiadas revelações. 
É muito óbvio aquilo a que Christie se refere. A editora fala da ilha, da rima, das figuras de louça que desaparecem, da compreensão de que o assassino se encontra entre os convidados e, pior de que tudo o mais, do facto de o último a morrer não ser necessariamente o vilão. A nossa simpatia vai toda para Agatha Christie; a única coisa que omitem é o nome do assassino."

Boas leituras!

sábado, 3 de janeiro de 2015

OPINIÃO! «O Homem que era o N.º 16», de Agatha Christie

O Homem que Era O N.16
Autora: Agatha Christie
Edição/reimpressão: 1999
Páginas: 464
Editor: Livros do Brasil
ISBN: 9789723806731
Coleção: Vampiro Gigante


Opinião:
Quanto a este livro, tenho uma comparação muito peculiar a fazer.
Hoje em dia já se fala muito da "comida de conforto", muitas vezes associada aos tempos de criança em que as nossas avós faziam umas comidinhas maravilhosas. Pois bem, para mim «O Homem que era o n.º 16», foi precisamente um "livro de conforto"!!! E por isso estou imensamente contente com a sensação que perdurou depois de terminar a leitura.

Confortou-me em vários aspectos, não só por se tratar de uma autora maravilhosa, que já não lia há algum tempo, mas também porque a leitura das obras de Agatha Christie, para mim é como se estivesse a saborear um chocolate!!! E a cereja no topo do bolo....o livro que tenho é o mesmo que aparece na imagem e é tão, mas tão agradável ler um livro "velhinho", de páginas amareladas e com o seu cheiro característico!!

Para além disto tudo, acresce a simplicidade com que a autora nos conquista com as suas personagens. Digo isto porque sempre fui uma teimosa, pois achava que só gostava da personagem "Poirot" e sempre que comprava um livro novo, tinha o cuidado de verificar se continha as "célulazinhas cinzentas" que tanto amava.
Pois então, em «O homem que era o n.º 16», as personagens principais são o casal Tuppence e Tommy, os quais abarcam a aventura de trabalharem como detectives privados, onde Tommy falsamente e com o consentimento da Scotland Yard se faz passar por Mr Blunt, na tentativa de ajudar a polícia a capturar o homem n.º 16.

As peripécias do casal são absolutamente encantadoras, principalmente quando personificam outras personagens de investigação de outros autores. O caso que mais gostei foi «O Álibi Indestrutível».

Conclusão, não fica aquém do "meu" precioso Hercule Poirot. A autora descreve casos simples e de resolução rápida, mas de uma inteligência incomparável!!

Boas Leituras!

OPINIÃO! «iluminada», de P. C. Cast

Chamamento da Deusa - Volume 3
Autora: P. C. Cast 
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 360
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789895579389

Sinopse:
"Cansada de encontros com egocêntricos, a designer de interiores Pamela Gray está quase a desistir dos homens. Quer ser tratada como uma deusa - preferencialmente por um deus. Quando exprime o seu desejo, invoca inconscientemente a deusa Ártemis, que possui alguns truques na sua manga celestial... 
Os gémeos Ártemis e Apolo foram enviados para o Reino de Las Vegas para testar as suas habilidades. A sua primeira missão é realizar o desejo de Pamela. Então Ártemis faz do irmão o voluntário. Afinal, quem seria melhor do que o lindo Deus da Luz para levar amor àquela mulher solitária? Deveria ser uma experiência, mas na Cidade do Pecado, onde a vida é um risco, tanto o deus como a mortal estão prestes a apostar um valor alto no jogo do amor."

Opinião:
É um romance que aquece num fim-de-semana chuvoso.

Sem grande dificuldade apanhamos as partes essenciais dos livros anteriores e ficamos desde logo empolgados com a história e com as personagens principais.

O amor é o elemento central da história, onde o deus Apolo aparece primeiro como um deus que se apaixona por uma mortal e que teima em não usar o seu poder sobre ela, mas que após uma vingança de Baco, vê-se preso no mundo mortal diga-se "o reino de Las Vegas". Desta feita, apresenta-se também ele mortal e com a sua bela irmã gémea passam alguns momentos de desconforto mas bastante engraçados para o leitor. O mais importante é que Apolo vê uma oportunidade de mostrar à sua amada que o homem por detrás do deus continua apaixonado e é capaz de amar Pamela da mesma forma.

Não deixa de ser um belo livro e lê-se bastante rápido.

Boas Leituras!

sábado, 13 de dezembro de 2014

OPINIÃO! «O Inverno do Mundo», de Ken Follett - Trilogia O Século Livro 2

O Inverno do Mundo
Trilogia O Século - Livro 2
Autor: Ken Follett
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 832
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722348768

Sinopse:
"Depois do extraordinário êxito de repercussão internacional alcançado pelo primeiro livro desta trilogia, A Queda dos Gigantes, retomamos a história no ponto onde a deixámos. A segunda geração das cinco famílias cujas vidas acompanhámos no primeiro volume assume pouco a pouco o protagonismo, a par de figuras históricas e no contexto das situações reais, desde a ascensão do Terceiro Reich, através da Guerra Civil de Espanha, durante a luta feroz entre os Aliados e as potências do Eixo, o Holocausto, o começo da era atómica inaugurada em Hiroxima e Nagasáqui, até ao início da Guerra Fria. Como no volume anterior, a totalidade do quadro é-nos oferecido como um vasto fresco que evolui a um ritmo de complexidade sempre crescente."

Opinião:
É uma obra magnífica e ultrapassa uma simples leitura, porque dá a sensação de estarmos a viver toda a história, do início ao fim. É como se nós próprios fossemos "a chave" para o final da guerra, como se fossemos espiões do nosso próprio país!!

Não estou a exagerar, amei este livro! Quem segue este blogue deve lembrar-se que já referi que gosto especialmente de livros que descrevam história e, de um modo geral que abordem as verdadeiras dificuldades que homens e mulheres atravessaram durante os anos em que persistiu um clima de guerra.

No entanto, como sabem, por vezes essa realidade descrita pode ser impressionante porque a miséria chega a ser gritante. Nesta obra tudo é retratado às claras, com uma transparência que cria ao leitor o efeito de "vivência daquele episódio". 

O primeiro volume, A Queda dos Gigantes, também me cativou de imediato. Em O Inverno do Mundo há um seguimento das personagens iniciais pelos seus descendentes, em que nalguns casos os filhos não partilham dos ideais dos pais, mas somos desde logo cativados por estas personagens, tão grandiosas ou até mais do que as primeiras.

Neste segundo volume, O Inverno do Mundo, Ken Follett aborda a história de 1933 a 1949.
A queda de Hitler é um dos temas mais marcantes, mas ao contrário de outras obras, Ken Follett não aborda a fundo o terror dos campos de concentração, porque a meu ver o autor optou mais pela estratégia e "jogo de peças" dos espiões de nacionalidade alemã para que pudessem levar ao conhecimento dos russos os esquemas e estratégias da Alemanha para ganhar a guerra, criando assim a possibilidade de acabar com o fascismo que muitos alemães veneravam e posteriormente acabaram por desacreditar.

Há também um ponto muito importante que não posso deixar de referir, porque de facto deixou-me bastante presa à obra, foi a descrição dos acontecimentos vividos pelas mulheres, as quais ficaram a viver nas suas casas, sem dinheiro para as conservar, desprovidas de segurança e aquecimento necessários. 
Houve ainda uma perspectiva bastante perturbadora... quando a guerra acabou e os alegados defensores derrotaram a Alemanha nem tudo foi um mar de rosas... pois estes homens/soldados não tiveram o comportamento que se esperava de "heróis". Ken Follett não se poupou a palavras cruas e incomodativas para quem lê, mas que ao mesmo tempo o torna num grande escritor.

Podia continuar a opinião, mas a ser assim nunca mais terminava porque há muito mais para dizer, mas prefiro ficar por aqui! Não posso deixar de tecer elogios, já que o autor conquistou-me desde o primeiro livro, com as suas personagens impressionantemente reais e ao mesmo tempo tão fáceis de acompanhar ao longo do livro.

Boas Leituras!